Sentada naquele velho banco de praça com a madeira já descascando, estava uma menina. As lágrimas nos olhos permaneciam presas, certamente com muita garra. Ficavam ali até evaporar e embaçavam as lentes de seus óculos de grau. Era míope, certamente. Ao seu lado estava um garoto tentando incansavelmente segurar as pequenas mãos dela, que recuavam constantemente de uma maneira tão brusca e ao mesmo tempo tão delicada. Pra quem aquilo estava sendo mais difícil, sinceramente, não sei lhe dizer. Só sei que em ambos doía muito, era visível. Fui me aproximando e parei bem na frente dos dois, agradecendo a Deus por eles não terem a capacidade de me enxergar. Ele se desculpava, implorava por perdão, nunca vi tão jovem e tão triste coração. Amargurado, arrependido, estraçalhado. Mil e um ainda era pouco para enumerar em quantos pedaços estava partido. Ela ficava calada o tempo inteiro, apenas ouvia. Seu esforço para ter uma face inexpressiva era vão, pois qualquer um que ali passasse sentiria um nó na garganta somente em olhá-la. Ele confessava-lhe o amor que sentia por outra, não mulher, mas estado. Ele queria prender-se somente à liberdade. Imagine, coitadinha. Quis morrer, contudo, continuou. O menino pedia perdão novamente e mais uma vez, queria ao menos sua amizade.
- Tentar ficar amigos sem rancor? A emoção acabou. - Foram as primeiras e últimas palavras que ela pronunciou.
Escorreu uma lágrima no rosto dele, dos lábios saiu um "adeus", dos olhos mais um "me desculpe"... Seu cérebro dizia "é o certo", seu peito gritava que "nunca vou gostar de ninguém assim". Suas pernas tremeram pelo que viria. Não o culpo, ele só tinha medo e não sabia como lidar com isso... Tinha ouvido a vida inteira que adolescente é jovem demais pra amar. E se foi, mesmo quando tudo que mais queria era ficar. Ela ficou sentada por ali um bom tempo, sem coragem de ir pra casa com medo de que, pela primeira vez, não conseguisse fingir.
Eu tive vontade de puxá-lo pela orelha e amarrá-lo nela pra sempre. Mas eu já fiz o meu papel, não é sempre que posso intervir, já os flechei uma vez. É triste, mas agora só posso esperar que se encontrem outra vez e façam diferente. E vão se encontrar, tá escrito. Nasceram um pro outro, só não têm total consciência disso.






